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Grandes Brasileiros Marginalizados: Rouge
por Feitosa Almeida
Toda menina já quis ser paquita, modelo, aeromoça, presidente da República e namorada do Chico Buarque. Mas houve uma época, há apenas alguns anos atrás, que as moiçolas tinham outro sonho: ser integrante da banda Rouge. Se você não conhece este grupo, que comandou as rádios brasileiras a partir dos anos 2000, me desculpe mas não tens uma grande bagagem cultural. Para te ajudar, faço uma nova coluna com Grandes Brasileiros Marginalizados, com o rouge.
Comecemos pelo início: a história desta magnífica banda pop começou, justamente, no programa Popstars, do SBT, em 2002. O intuito da atração era copiar o programa American Idol, que mais tarde se transformaria no Ídolos, do Brasil. Fora isso, o show escolheu cinco meninas para formar uma banda, que seria o maior sucesso do país. As vencedoras - Patrícia, Aline, Fantine, Karin e Luciana, passaram por árduos testes de voz, dança, simpatia, inteligência e beleza, superando cerca de 30 mil concorrentes, em 20 episódios.
Depois da seleção das integrantes e da escolha do nome, o primeiro cd chegou às lojas, com um sucesso que, certamente e por mais indie que você seja, conhece: o fenômeno Ragatanga. Aquele mesmo, que tinha a seguinte letra no refrão: Asereje ra de re / De jebe tu de jebere seibiunouba mahabi / An de bugui an de buididipi. Parece algo composto por Vinícius de Moraes, mas não foi. É a regravação de uma música estrangeira – muito bonita, por sinal -, que conquistou todos os programas de auditório, rádios, cd players e o incipiente mercado de mp3 players da época.
Depois desta música, o Rouge estourou de uma forma que, claro, trouxe muitos problemas às integrantes. A primeira a deixar o grupo foi Luciana – a loirinha com cara de menina rica deixou a banda por divergências na ideológica musical. Certamente, ela se enganou na hora da inscrição para o programa, e não se seu conta que cantaria música pop, e não ópera e afins. Depois disso, um segundo álbum foi lançado pelas demais integrantes, sem sucesso: o tal do CP M 22, que acabou com o Cumpadi Washington, também derrubou o Rouge, o KLB e outras grandes bandas nacionais.
Atualmente, o paradeiro das meninas é desconhecido. Depois da dissolução completa do grupo, em 2005, as garotas tentaram arrumar formas de se manterem em seus devidos lugares: no topo das paradas. Fantine quase foi escolhida para a vaga de Cláudia Leitte no Babado Novo, Karin faz pequenos shows em São Paulo, Aline preparou e não decolou com a carreira solo... Enfim: são pedras preciosas a espera de reconhecimento. São grandes brasileiras marginalizadas. |